Sabe o que me faria mais feliz hoje? Mais do que qualquer coisa? A morte. Mas não a minha morte. A sua. E não bastaria apenas saber que você morreu. Não. Para que a minha felicidade fosse completa, eu gostaria de assistir você morrer, saborear cada instante, assistir a vida deixar seu corpo lentamente, com sofrimento suficiente para ver a dor estampada em seu rosto. E ao final de tudo, presenciar o sublime momento em que seus olhos estáticos perdessem aquele suave brilho de vida...
Gritos e sangue! Eu adoraria ouvir gritos de dor e ver o sangue esvair de seu corpo. Pensando bem, isso nem seria obrigatoriamente necessário. Isso me seria prazeroso sim, não posso negar. Mas igual prazer eu também sentiria ao te ver morrer em situação simplesmente humilhante ou de alguma doença que te fizesse definhar dolorosa e lentamente.
Se eu quero te matar? Não, eu não seria capaz. Eu não seria capaz de arruinar o meu momento perfeito de felicidade, ainda que ele seja uma remota possibilidade. Porque se eu te matasse, você poderia substituir aquela expressão de dor que eu tanto desejo ver, pelo sorriso vencedor de quem, enfim, foi para o inferno, mas levou o inimigo junto. Não. Quero assistir você ir para o inferno completamente só, tendo como última lembrança da vida o meu sorriso satisfeito ao te ver sumir, deixar de existir.
Para aumentar minhas chances de presencear o seu momento derradeiro, eu te visitaria no leito do hospital, levaria flores ao seu quarto ou as jogaria sobre o seu túmulo, tudo para selar no seu corpo inerte, o ódio que outrora você selou em mim.
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segunda-feira, abril 09, 2007
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Em círculos
Há muito tempo não se viam nem se falavam. Mesmo assim ela conseguiu distinguir seu rosto no meio da multidão. E ele estava olhando diretamente pra ela.
Mais por educação do que por qualquer outra coisa, retribuiu o olhar com um sorriso contido e desviou o olhar continuando seu caminho. Vinha tentando evitar uma cena como aquela por tanto tempo e agora acontecia assim, sem aviso. Ficou feliz por ter acabado rápido. Nem olhou para trás.
Durou pouco. Voltou a encontrá-lo em uma loja, observando-a de longe e logo depois em outra esquina. Ficou nervosa. Ele a estava seguindo. Por que? Pra quê? Perguntas sem sentido. Ela sabia muito bem a resposta. Ele vinha atrás da mesma coisa que o mantivera por perto antes. Ela já sabia como isso iria acabar...
Decidiu lutar. Não permitiria que tudo se repetisse novamente. Gritaria. Chamaria a polícia. Com tantas pessoas ao redor, ele não seria capaz de fazer nada. É um covarde, afinal de contas. Fez força para acalmar-se. Ele não apareceu mais.
Já se sentia mais calma quando encontrou um velho amigo na rua e conversaram por alguns minutos. Foi ali entre os dois amigos que ele apareceu novamente. Desta vez ela não conseguiu escapar. E só se deu conta disso na manhã do dia seguinte, sozinha, coberta apenas por lençóis.
Mais por educação do que por qualquer outra coisa, retribuiu o olhar com um sorriso contido e desviou o olhar continuando seu caminho. Vinha tentando evitar uma cena como aquela por tanto tempo e agora acontecia assim, sem aviso. Ficou feliz por ter acabado rápido. Nem olhou para trás.
Durou pouco. Voltou a encontrá-lo em uma loja, observando-a de longe e logo depois em outra esquina. Ficou nervosa. Ele a estava seguindo. Por que? Pra quê? Perguntas sem sentido. Ela sabia muito bem a resposta. Ele vinha atrás da mesma coisa que o mantivera por perto antes. Ela já sabia como isso iria acabar...
Decidiu lutar. Não permitiria que tudo se repetisse novamente. Gritaria. Chamaria a polícia. Com tantas pessoas ao redor, ele não seria capaz de fazer nada. É um covarde, afinal de contas. Fez força para acalmar-se. Ele não apareceu mais.
Já se sentia mais calma quando encontrou um velho amigo na rua e conversaram por alguns minutos. Foi ali entre os dois amigos que ele apareceu novamente. Desta vez ela não conseguiu escapar. E só se deu conta disso na manhã do dia seguinte, sozinha, coberta apenas por lençóis.
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Felicidade tecnológica
Comprou um celular novo. Nem precisava de um celular novo. O anterior funcionava perfeitamente. Mas comprou assim mesmo. Afinal, o antigo "já" tinha quase 1 ano de uso, estava obsoleto. Pessoa moderna e antenada que era, não podia ficar com um celular obsoleto.
Entrou na internet e buscou o modelo mais avançado que encontrou, três vezes o preço do atual com duas vezes mais recursos. Clicou em comprar e forneceu o número de um de seus 4 cartões de crédito internacionais. No momento em que finalizou a compra, encheu sua vida vazia de significado e contentamento. Excitava-se em imaginar o celular chegando à sua casa, a abertura do pacote, os primeiros testes. A encomenda chegou no dia seguinte.
Vá lá, o prazo de validade é sempre bem curto e o preço muito alto, mas quem disse que felicidade não se compra?
Entrou na internet e buscou o modelo mais avançado que encontrou, três vezes o preço do atual com duas vezes mais recursos. Clicou em comprar e forneceu o número de um de seus 4 cartões de crédito internacionais. No momento em que finalizou a compra, encheu sua vida vazia de significado e contentamento. Excitava-se em imaginar o celular chegando à sua casa, a abertura do pacote, os primeiros testes. A encomenda chegou no dia seguinte.
Vá lá, o prazo de validade é sempre bem curto e o preço muito alto, mas quem disse que felicidade não se compra?
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